Tônia
Vanessa tinha um único sonho: ser mãe. Já tinha escolhido o nome do filho por estar certa de que seria homem - João, - em homenagem ao avô que foi tão importante em sua infância e já havia ido embora.

Em suas noites mais tranquilas, Vanessa sonhava com o rostinho do seu filho, sentia o cheirinho de bebê. Acordada, imaginava que logo iria jogar futebol com ele e ensiná-lo desde cedo a ser um gremista de coração, respeitando as cores azul, preto e branco.
Ensinaria João a ter gosto por livros, mas o deixaria livre para gostar da história que fosse. Ensinaria também a ter gosto pela música, talvez João teria habilidade para tocar algum instrumento, mas esperaria a iniciativa vir do filho. Seu tão amado filho.
Vanessa já havia escolhido o tema para a festa de um aninho, já havia comprado um sapatinho e uma roupinha para quando João saísse do hospital pela primeira vez fora do ventre que por nove curiosos meses foi carregado. E sabia a cor da toalha do primeiro banho que ela mesmo bordaria o nome dele. A toalha amarela e a busca incessante pela toalha macia e certa.
O pequeno João, sem dúvida alguma, é um bebê de sorte, esperado, amado, mas acima de qualquer coisa, sonhado. Vanessa, sem mesmo tê-lo concebido, sabia que seu filho seria feliz quando chegasse.
Mas a vida foi impaciente demais. Sábia vida deixou Vanessa sem conhecer um verdadeiro amor, aquele que seria o pai do sortudo João. Injusta vida levou Vanessa muito cedo dos braços deste mundo. Hoje não se sabe se o que acabou foi o sonho ou a vida, a única certeza é de que Vanessa e João já não existem mais.